16 setembro 2013

16 setembro 2013

Tudo o que você não pode deixar para trás

Foto por The Vision Beautiful (http://www.flickr.com/photos/thevisionbeautiful/)
Você insiste em achar que preciso de carona toda vez que já passa das sete e eu estou perambulando pelas ruas que atravessam seu trajeto. E eu esqueço de dizer não, assim como sempre esqueço de dizer um monte de coisas que só me vêm a cabeça quando eu estou quietinha no meu quarto. Como agora. Como em todas as outras vezes que te encontrei e fui embora com o gosto amargo da angústia nos meus lábios, que prendiam a sete chaves tudo o que eu não disse.

Nosso silêncio nunca foi estranho, sempre houve cumplicidade nele. Nos olhávamos e sorríamos e parece que ultimamente não temos conseguido encarar um ao outro por muito tempo sem um suspiro de saudade. Porque os tempos são outros, os anos passaram, e parece que parte de nós ficou em fevereiro de dois mil e onze.

Entro no carro sem relutar, sem pensar que ir embora fingindo que nem te vi é uma boa opção. Minha casa fica a 10 minutos daqui e eu gosto de andar à noite. Depois da primeira volta, porque todas ruas parecem ser contramão, no primeiro farol vermelho você solta:

- Se você fosse andando já estaria lá, né?

- Sim. - Afirmação esta que eu gostaria de ter completado com um "mas é que eu prefiro passar uns minutos com você mesmo." Fiquei só no sim e num suspiro.

O farol abre. Tento não puxar assunto, porque sempre desvíamos do que quer que eu diga e pode ser que terminemos aonde eu não quero ir. Mas acho que minha respiração fora de ritmo te incomoda e você pergunta sobre a vida.

- E o livro? Vai publicar?

- Vou reescrever, mas sim.

- Por quê?

- Não sei. Não gostei.

"Aliás, não gostei porque tem muito de você em tudo o que eu escrevo. Em dias bons e ruins, o que me acalma é falar de você, mas eu ando repetindo as situações e os lugares porque não temos mais nada. Aí acaba doendo e uma coisa boa se transforma na minha doença."

Você fala da rotina, dos exames que fez, da dieta que começou e eu devaneio, sem saber o que responder quando volto à Terra. Mais suspiros. Seu olhar me queima e eu te odeio por uns minutos. Meus lábios ameaçam soltar o que anda preso entre um suspiro e outro, e eu penso comigo, como se estivesse falando com você, "eu te odeio!". Considero repetir meu pensamento em voz alta, mas o outro farol vermelho em que paramos abre e você buzina para o carro da frente enquanto eu engulo minhas palavras.

Você embaralha dezenas de palavras até finalmente me deixar no meu destino e eu não dou ouvidos. Abro a porta do carro como se não visse a hora de me livrar do seu perfume que sempre me impregna. Bato-a como se descontasse toda a raiva que tenho sentido de você e dos outros. Você fica parado com o carro do outro lado da rua, eu paro no portão, procurando as chaves. Louca de vontade de voltar e dizer que não quero ir embora tão cedo. Tão angustiada. Tão longe de você. A pior saudade é a que bate mesmo quando se está perto. E eu já senti tanto amor vindo de você, que não aceito que hoje sejamos só conhecidos que falam sobre como o tempo voa e o que andamos fazendo. Mas você acelera. Dispara na descida. Eu já corri muito atrás de você, então hoje minhas pernas doem quando me esforço. Continuo parada, observando você ir. Ir embora hoje e para sempre.




5 comentários:

Mari Guimarães em 17/9/13 disse...

Mayara, que lindeza desse texto, gente! =O E esse último parágrafo é tipo... tão eu! ♥ hahaha

Um super beijo!

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Carol em 17/9/13 disse...

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Mayara em 17/9/13 disse...

@Carol Obrigada <3

Mayara em 17/9/13 disse...

@Mari Guimarães <33333333333 brigada, Mari!

Anderson da silva em 17/9/13 disse...

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