30 outubro 2013

30 outubro 2013

Goodbye

Foto por http://www.flickr.com/photos/karissa-lynne/

Engraçado como às vezes temos sonhos muito reais, não é? Aconteceu comigo noite passada. Fui pesquisar o significado e não encontrei. Fiquei só refletindo sobre o quanto aquilo mexeu comigo. Resolvi escrever. É terapia barata e na verdade não tenho muitas opções. Nunca falo muito sobre isso. Nunca vejo motivo pra falar. Mas eu estou no meu quarto e parece que tenho 15 anos de novo. Estou ouvindo o novo álbum da nossa cantora favorita e já é o segundo que ela lança e nós não ouvimos juntas. Eu sinto falta de coisas assim. Todas as cartas de crianças que encontrei na última gaveta indicam que você também sente, mas não seu orgulho não deixaria você admitir. Ok. Gostaria de ter sua determinação e nunca olhar para trás. Mas era você que me mantinha sã, então imagine como fiquei desde que você se foi.

Eu nunca acostumei com as outras crianças da escola. Presas num mundinho pequeno, com pensamentos de... bem, crianças. Mas eu não era como elas, eu nunca conseguiria me encaixar se não pudesse falar das minhas coisas de adultos. Demos sorte quando nos encontramos. Tínhamos histórias tão parecidas e sonhos tão grandes e trocávamos todos sábados na cidade por uma boa torta da sua avó e nossa série favorita. The Nanny. Ninguém conhecia aquilo e um dia você imitou a Fran Fine na fila da primeira aula. Eu amei você ali. Viramos melhores amigas e prometemos que seria para sempre. Afinal, quando encontraríamos alguém com quem nos identificássemos daquela forma?

Não posso mentir: encontrei. A beleza da vida é que nesse mundo existem 7 bilhões de pessoas e acabamos encontrando mais de uma que se adapta ao nosso mundo. Mas passei um ano inteira sozinha. Afastei as pessoas também, confesso. Foi o pior ano da minha vida. Tudo de ruim que aconteceu e que tentei fazer era por sua causa, e eu te ligava todos os dias pra que aquilo chegasse ao fim. Se naquela época minha cabeça era de uma moça de 20 anos, hoje vejo que já estou nos 40, facilmente. Amadureci tanto em um ano e hoje nem gosto tanto desses meus pensamentos maduros, ando me cobrando demais. Mas, poxa, todas essas experiências malucas me trouxeram aqui. A mais experiências malucas, bons amigos e uma vida bem diferente da que planejávamos quando tínhamos catorze anos. Mesmo com toda a maturidade, ainda tínhamos só catorze anos. 

Se algum dia esbarrar comigo de novo, como aconteceu no começo desse ano, espero que diga olá. Eu não vou querer puxar assunto, eu só vou saber que você não se esqueceu. Vi sua avó na rua dia desses, acho que ela não me reconheceu. Coloquei meus óculos de sol, porque meus olhos ameaçaram marejar. Um dia, ainda pretendo ficar bem bêbada pra criar coragem e gritar Stella na sua porta, como nós gritávamos pra sua mãe todos os dias depois que assistimos aquele episódio de Seinfeld. A vida se resumia a isso. Às vezes, até me pergunto se é você que faz tanta falta a ponto de doer fisicamente ou se eu só sinto falta de um tempo mais simples. Eu nunca vou saber mas, se fizer questão, que bom que você fez daquele tempo algo mais simples. Não era, mas ter um lar fora de casa fazia com que eu não sentisse tanto. Eu falo tanto sobre ser adulta que acho que está na hora de ser. Eu sempre fui o elo fraco, mas agora não tem disso. Estou sozinha e preciso ser forte. Precisava desabafar para dizer adeus. Fiz o suficiente. Adeus, olhos castanhos, como na nossa música favorita. Adeus, meu amor.




8 comentários:

Catarina em 30/10/13 disse...

Que lindo texto, Mayara! Além de lindo, muito emocionante e tocante.
Cheguei até a me identificar com algumas coisas que você falou. Sinto falta de uma pessoa também, mas tanta coisa mudou, nada é mais igual antes. Mas tudo passa, assim espero!
Beijos

http://withoutidea.com

Alexia Cavalcante em 30/10/13 disse...

Nossa, adorei, bem profundo.

http://papodemeninasaer.blogspot.com.br/

Lulu on the Sky em 30/10/13 disse...

Lindo seu texto. Como é difícil despedidas.. sempre fica um pedaço..
Big Beijos
Lulu on the sky

Marina Veiga em 30/10/13 disse...

Tive uma amizade assim.... Durou 15 anos.. E eu me afastei... Foi melhor.... Eu era a parte fraca.... Enfim, foi bom enquanto durou... Hoje o caminho é outro... Vc ira encontrar esse novo caminho :D

Seja Feliz!

www.espacotudodebom.com.br

Érika Gevarauskas em 31/10/13 disse...

Eu adorei o texto, fez me lembrar de quando eu era mais nova e fiquei muito tempo afastada da minha amiga e depois de um bom tempo nossa amizade voltou.
Despedidas são sempre tristes.
Ahh se você quiser participar do projeto Leitoras escritoras entra em contato comigo, você me manda um texto, eu publico e divulgo as suas redes sociais e seu blog. Qualquer duvida pode mandar para a aba contato no meu blog e se quiser mandar seu texto mande para sonhosdegarota@outlook.com
Beijos.

sonhosdegarota.blogspot.com.br

Anônimo disse...

Vc e lesbica?

Mayara em 31/10/13 disse...

@Anônimo Não, kiridinho(a), sou alguém que perdeu uma amiga de infância que amava muito.

Daniela Pereira em 31/10/13 disse...

É horrível perder uma amizade assim, não? Já perdi uma e estou prestes a perder outra. É horrível dizer adeus, mesmo sabendo que é necessário :(
http://daniperere.blogspot.com.br/

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