06 novembro 2013

06 novembro 2013

Cá entre nós: "Meu pai não me aceita"

Foto por http://www.flickr.com/photos/ann-weasley/
Estreando uma nova coluna no Pedras ^_^ Conversando com uma das leitoras no Facebook dia desses, acabei decidindo criar essa tag de conselhos. Ela estava com problemas e perguntou se eu já tinha feito algum texto sobre uma situação parecida com a dela. Nunca. Mas perguntei se ela se importaria de enviar a história dela por e-mail pra que eu fizesse um post em cima disso. Ela topou e me enviou na mesma hora. Tenho 19 anos e já passei por todas essas coisinhas. Ainda passo, mas tenho um ponto de vista ~diferente~ hoje. Espero conseguir ajudar algumas das leitoras do PNJ dessa forma.

"Eu não sou a melhor filha do mundo, mas meu pai tem reclamado comigo como se eu fosse a pior pessoa. Eu adoro ler romances, aventuras e o meu pai é uma pessoa que acha que esse tipo de leitura não leva a nada, e isso me irrita profundamente. Um dia ele quase queimou todos os meus livros, acho que eu tenho uns 300, ele desistiu depois que eu chorei muito. Acho que pra ele eu deveria ser como as outras garotas sabe, que não sai de casa sem batom, sem estar arrumadinha, perfumada... Mas eu sou o contrario, eu sou digamos que uma "ogra", e adoro o meu jeito largado, sou tão largada e tão doida que meu pai às vezes fala que eu vou virar homem, ou que eu sou um homem e não quero contar pra ele que isso me deixa triste, porque não é só porque eu tenho o meu jeito estranho que eu não seja feminina, não quero mudar quem eu sou, mas eu queria que meu pai me aceitasse. Eu não sei se mudo, ou se continuo sendo quem eu sou..."
L.S. - 15 anos

Lendo o e-mail, lembrei de quando tinha 15 anos. Eu era uma pequena ogrinha. Estava me descobrindo, fazendo novas amizades e achava todas as meninas da minha sala fúteis por levarem necessaire pra escola e ficarem se maquiando na hora do intervalo. Gostava de um bom livro e do meu violão. Tive sorte de não ter problemas com isso com a minha mãe, mas é claro que a família e algumas crianças da escola comentavam sobre esse meu jeitinho. Acho que eu gostava tanto do que fazia no meu tempo livre e de ser exatamente como eu era, que não conseguia me importar por mais de 10 minutos com a opinião alheia. Sempre soube que aquela era eu e ponto final. Eu nem conseguiria mudar, mesmo se tentasse.

Ah, hoje as coisas estão um pouco diferente, tá? Aos 17 anos, eu comecei a gostar de maquiagem, pensar em namoricos, coisa que eu achava perda de tempo, e até ter vontade de sair à noite. Tudo aconteceu naturalmente, ninguém me forçou - nem eu mesma. Fui em algumas festas com o pessoal da escola e não achei assim tão ruim. Nunca fui de balada e acho que isso nunca vai mudar, mas vi outros dos meus interesses mudarem em poucos anos.

Essas coisas são assim mesmo. Aos 15 anos, estamos nos descobrindo. E que bom que você usa a leitura pra isso. E não tenta se encaixar num padrão e parecer como todas as outras garotas. Eu poderia te aconselhar a falar com o seu pai, acho que toda tentativa é válida, mas também penso que nem todos os adultos levam os adolescentes a sério, então será que sua mãe ou um irmão/irmã não teria como explicar, sutilmente, que você está numa fase de transição? Todo mundo passa por ela, seus pais com certeza passaram, mas já faz tanto tempo (e a época era outra, os costumes também) que eles já esqueceram como é ter um milhão de emoções em um segundo.

Conheço tantas meninas que aos 15 anos já estão virando a noite pela cidade, em festas com más companhias e não têm um objetivo de vida. Você tem metas e sonhos? Compartilhe com a sua família. Se seus livros não são exatamente didáticos, mostre que ainda assim te ajudam a focar nos estudos, aumentam seu vocabulário, são benéficos não só por te fazerem entrar numa outra dimensão e esquecer dos problemas comuns dessa idade, mas também porque qualquer tipo de leitura e conhecimento é válido.

Quanto a ter um jeitinho largado, se arrumar é legal, ficar brincando de maquiagem e testando cores na pele é bacana, mas eu vejo minha irmã usando todas essas coisas, praticamente na mesma idade que você, e só penso que ela deveria deixar tudo isso pra ocasiões importantes ou quando for mais velha. Seu pai não deveria ficar bravo por isso, talvez ele pense que você será excluída dos grupinhos se não se encaixar num padrão, pode ser mesmo que as intenções dele sejam as melhores, já pensou nisso? Mas você com certeza tem seus amigos e, ó, mesmo no meu pior ano, descobri que existe pelo menos uma pessoa verdadeira do nosso lado. Mostre que você é feliz exatamente como é, que tem pessoas que a amam e seus hábitos não são ruins. Você mesma disse que adora seu jeito, acho que a resposta pra todas suas dúvidas já estava ali. Já fiz coisas que não eram certas e na época eu achava que eram demais. É assim que aprendemos. Se uma hora você sentir que algo que está fazendo não é benéfico pra você (ou seu futuro), você começará a rever seus conceitos sem que ninguém te fale. Conselhos são bons (principalmente de pais), mas ninguém muda a cabeça de outra pessoa se ela não quiser realmente mudar. Lembre sempre que existe alguém passando por exatamente a mesma coisa e o importante é desabafar, seja com um amigo, escrevendo um texto ou encontrando um hobby. Relacionamentos familiares são conturbados nessa época, mas juro que uma hora vocês entrarão num acordo. Existem muitas formas de satisfazer os dois lados. Você não precisa deixar de ser quem é pra agradar alguém. E espero mesmo que não mude. ♥

Quer enviar sua história pra cá? Manda um e-mail pra pedrasnajanela@outlook.com com o título Cá entre nós ou pelo formulário da aba Contato aqui do blog. Todos os depoimentos serão mantidos em anônimo, ok? ^_^




7 comentários:

Garota em 6/11/13 disse...

Nossa...
Mas meu pai as vezes é assim...
Mas não queima os livros só
http://umcupcake4you.blogspot.com.br/2013/11/vagas-para-adms.html#comment-form

Alexia Cavalcante em 6/11/13 disse...

Sem palavras, adorei.

http://papodemeninasaer.blogspot.com.br/

Jana Nogueira em 6/11/13 disse...

Participe do Sorteio no meu blog com esmaltes da nova coleção da Avon e cuidado para suas unhas!
Beijinhos
Participe do Sorteio|Blog Jana Nogueira| Fanpage| Twitter| Youtube

Bruna em 6/11/13 disse...

Olá
Nunca passei por isso, ainda bem...
Gostei do tipo de post
Beijos

cocacolaecupcake.blogspot.com.br

Débora Queiróz em 6/11/13 disse...

Não se sinta assim, pois você não é a única nesta situação. Seu pai como o meu acaba cometendo os mesmos erros, mas nunca pensou em queimar os meus livros, porém, uma vez ele conversando comigo acabou dizendo que se ele reclama comigo, se me quer longe um pouco dos livros é pelo fato de querer que eu viva um pouco longe deles. Que me apaixone, ame, se envolva com alguns garotos, pois as vezes ele acha que escondo através deles para não conhecer ninguém. E por causa disso, acabo andando igual um menino, não penso em me arrumar ou outros detalhes, criando um grande destaque entre mim e as minhas amigas. Não pense no lado negativo, mas os nossos pais não conseguem falar o que pensam e acabam agindo desta forma.

http://enfim-dezessete.blogspot.com.br/

Keith Pappen em 6/11/13 disse...

Nunca passei por isso, mas acredito que a solução seja conversar. Beijão <3

www.detalhesamor.blogspot.com

Daniela Pereira em 6/11/13 disse...

Uou! Como assim um pai quer queimar os livros da filha? Socorro(?)
Mas enfim, eu acho que o negócio mesmo é conversar com o pai, além de deixar ele falar e tentar entender o lado dele.
Nunca passei por isso e espero não passar ainda, mas enfim, boa sorte pra florzinha <3
http://daniperere.blogspot.com/

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