02 novembro 2013

02 novembro 2013

Respirar de novo

Foto por http://www.flickr.com/photos/25375522@N08/
Gostaria de nunca precisar confessar meus medos, mas hoje serei obrigada a soltar um deles por aí: tenho medo do tempo. De como ele passa sem percebermos, de como ele congela nos momentos mais inusitados, de como ele simplesmente nos controla e não há como tomar rédeas da situação.

Comecei a pensar nisso quando me vi escrevendo uma carta pra um amigo e engavetando-a por... medo. Todos os anos, escrevo pra ele quando seu aniversário chega. Mensagens de texto, frases curtas. Decidi não escrever no próximo. Por mil e um motivos, porque ando sentindo que não faço muita diferença e preciso sentir que sim. Mas escrevi pra mim e guardei numa pastinha que quase nunca abro. Já fiz muito disso e só lembro de reler todos esses rascunhos quando mudo os móveis de lugar e faço uma limpeza geral na papelada que tenho no quarto. Ou seja, demora. Depois que finalizei meu texto carinhoso e fui tomar banho, fiquei refletindo sobre tudo. Sobre o quanto eu me cobro, o quanto sempre digo que quero ser verdadeira e seguir minha intuição. Sobre como sempre fui uma romântica incurável, das que pensam que vale a pena lutar por um amor real sob qualquer circunstância. Ando pensando até que ponto realmente vale.

Não queria estar me tornando o que sempre abominei. Uma daquelas pessoas que cansam de amar por já terem amado demais, sabe? Ou uma das que fazem joguinhos em vez de serem sinceras sobre o que amam e o que as incomoda. Mas toda a frieza que quase todas pessoas que conheço carregam até passou a fazer sentido pra mim. Quando abrimos mão de uma coisa na qual investimos muito de nós, tudo o que colocamos ali vai junto. Eu até pensava que se regenerava, mas não. Perdemos aquela nossa parte pra sempre. Acho que a capacidade de amar diminui a partir daí. 

Ao mesmo tempo que me vejo duvidando de amores verdadeiros e pessoas transparentes, lembro de todos os sentimentos bons que já vivenciei e partes de mim, que começaram a vir à vida só depois que deixei outras irem embora, insistem pra que também insista. No que quer que seja, em quem quer que eu ame. Eu não sei, eu vejo tantas coisas todos os dias. Me acontecem tantas coisas a todo momento. Me faz pensar até onde o ser humano aguenta. Me faz pensar em como deve ser pra pessoas que passam por experiências piores. E todas as vezes que começo a martelar sobre isso, percebo que meu medo me empurra em direção a um só caminho: ir até o fim e descobrir as respostas.




10 comentários:

Gabih Borges em 2/11/13 disse...

Tudo que eu penso,e me martelo dia a dia,escrito em palavras tão belas que nem seu eu ousasse,contestaria.O tempo passa,e tenho medo que o amor também passe.Uns vão,outro ficam,e a vida segue,mas dizer que se conformar com o que já foi bom e ver o hoje,nem sempre é fácil.
O que me segura,o que me empurra,o que me faz feliz,como disse são os risos do passado!
Beijos.
http://gabi-modaevoce.blogspot.com.br/

Daniela Pereira em 2/11/13 disse...

Eu fico impressionada o quão você escreve bem! Cara, as coisas que você escreve me descrevem e descrevem o que eu sinto tão perfeitamente ): Me vejo em você quando eu tiver a sua idade, sério. Parabéns mesmo May ♥
http://daniperere.blogspot.com.br/

Alexia Cavalcante em 2/11/13 disse...

May, eu me identifico muito com seus textos, parabéns.

http://papodemeninasaer.blogspot.com.br/

Mayara em 2/11/13 disse...

@Daniela Pereira Linda <3 Muito obrigada! Espero que, na minha idade, você esteja um pouco melhor que eu, hahaha, sou uma bagunça, às vezes!

Mayara em 2/11/13 disse...

@Alexia Cavalcante <3

Giovanna Bertolini em 3/11/13 disse...

Um dos melhores textos que já li, realmente me emocionei na frase: "Não queria estar me tornando o que sempre abominei!".
Beijos e uma ótima semana! ♡
Fica com Deus!
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Valquiria Novaes em 3/11/13 disse...

Seguindo!
Bjos e boa semana!
http://amonailart.blogspot.com.br/

Anne Pee em 3/11/13 disse...

Pois é.. Tudo isso faz muito sentido pra mim. Já me decepcionei demais e sim, mudei por dentro. Hoje acredito menos nas pessoas e é triste sim a forma como a vida e coisas que acontecem nos mudam, muitas vezes, nos tornando tudo aquilo que não gostaríamos de ser. Mas no fundo ainda tenho um pouquinho de esperança. Esperança de que eu não deixe escapar a pessoa certa, por causa das pessoas erradas.

Suellen Veloso em 3/11/13 disse...

ishee May... quase me vi falando quando li o texto... medo do temo e de perder tempo, medo das facetadas do amor e do desamor, mas acabei me jogando de cabeça na fé sabe?! Deu certo... Eu resolvi que não era justo juntar tudo o que eu sentia dentro de mim, sou muito sincera com os meus amigos, com os meus amores e principalmente comigo mesma. Nossa ate a parte dos rascunhos e cartas... tenho cartas para mim, meio louco, eu sei, mas me lembram de momentos anteriores e como eu era neles, gosto disso pra não perder a essência, varias coisas mudam e perdemos pessoas quase que todos os dias, até pq eu conto aqueles que só cruzam rapidamente por nos na rua :( Aaah gostei do seu blog, do seu texto da sua sinceridade...
Beijinhos da Suuh
Meu blog: http://hablandoconlasuuh.blogspot.com.br/
Pra quem quer divulgar sem o bendito “segue de volta”: https://www.facebook.com/groups/715289145166994/

Nathi !! em 6/11/13 disse...

Ai Que lindo... flor já estou te seguindo aQui no blog, te espero no meu instagram !! Bjs

http://instagram.com/nathiaracute

Blog: http://viaesmalte.blogspot.com.br/

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