20 dezembro 2013

20 dezembro 2013

Nascer e crescer

Foto por http://www.flickr.com/photos/electric_arc/

Espero que não se importe. É meu álbum favorito. O refrão de Born and Raised me fez companhia quando você não pôde. Já faz tempo, eu nem deveria lembrar. Mas, infelizmente, eu tenho uma memória muito boa. Me incomoda, vez ou outra. Porque eu mudo pra faixa 6 e lembro de 6 de maio e o 6º quarto do hotel barato onde fomos parar numa noite de dezembro. E mesmo hoje estando bem, borboletas brincam no meu estômago e eu quero fazer o tempo parar só por um minuto pra que elas sumam.

Eu nunca faço sentido nenhum, então não espere que os próximos parágrafos façam, mas saiba que metade das minhas frases não passam de palavras repetidas em ordens diferentes pra sempre dizer a mesma coisa: apesar de tudo, de quando doeu muito, eu te amo mais hoje do que quando pensava que você era o homem que eu idealizei. A maturidade faz coisas. Também faz aprender a abrir mão quando não é mais hora de insistir. Tem percebido que eu mudei? Comecei a aceitar perdas. A aceitar que amor não se compra, que saudade também bate estando lado a lado, que as pessoas mudam e a vida segue. Tudo isso parece tão óbvio quando coloco em folhas de papel, mas aqui dentro sempre faz um nó que não consigo desatar e acaba me confundindo, me fazendo ir até você. As poucas mensagens e ligações que fiz no último ano para o seu número, foram em momentos de pouca sanidade causados pelos nós que meus sentimentos dão na minha garganta. Mas passa. Ainda bem.

Hoje, por exemplo, é um bom dia pra escrever este tipo de carta. Confesso que já chorei entre uma linha ou outra acima, mas está tudo bem claro na minha cabeça. Sempre que falo de você para os outros, comparo a uma droga. Porque quando te conheci, eu tomava todos aqueles remédios "pra loucura", como você diz, e os larguei quando me vi melhorando por estar gostando de você. Mas seu efeito passou e hoje preciso de algo mais forte. Diário, sabe? Algo que arrume a bagunça que eu faço dia ou outro. Gosto de arrumar as gavetas quando estou pra perder a cabeça, mas os pensamentos não. Prefiro deixá-los jogados no canto até alguém vir varrê-los. Eu não sei lidar com nenhum dos que cruzam a minha mente nos meus momentos baixos. Sei que não é saudável, mas é assim que tenho me mantido literalmente viva.

Born and Raised está no repeat enquanto escrevo. Senti que devia contar porque muito do que passei está em um verso ou outro dessa música. Ela saiu em 2012, um dos anos mais perturbados da minha curta vida. Detesto pensar que tenho só 19 anos e já passei por todas essas coisas que ninguém da minha idade compreende. Pareço irresponsável às vezes, mas é porque tenho me permitido ser. Sinto que mereço, por motivos que você desconhece. E que talvez eu conte se algum dia formos caminhar naquele parque atrás do shopping de novo. Não te contei que aquele foi um dos dias que me fizeram sentir que valia a pena estar neste mundo. Achei piegas demais. Era só uma droga de caminhada estúpida. Eu não dormi aquela noite, porque apesar de todo meu silêncio enquanto estávamos juntos, pensei comigo o tempo todo que é muito maravilhoso estar na companhia de alguém, não precisar dizer nada e ainda assim sentir tanto.

Eu nem acredito nas coisas que estou confessando. Nem as pessoas mais próximas de mim sabem o quanto eu consigo sentir. Às vezes, chamo uma amiga ou outra pra comer numa lanchonete qualquer aqui perto com a desculpa de que quero desabafar, mas nunca consigo dizer mais do que "estou cansada". Eu não costumo falar sobre os meus problemas ou o que me faz feliz, porque eu sempre me sinto uma criança. Vulnerável. Sei que esconder justamente por este motivo só prova o quanto sou frágil, mas podemos deixar isso pra outra hora, não é? Eu não sou só lamentações e tragédias. Os últimos meses têm sido bons comigo e se essa música ainda faz algum sentido é só porque fala sobre a dificuldade de fingir que somos qualquer coisa além de nós mesmos. Acaba ficando difícil demais e atrai a solidão. Não é uma carta de "sinta pena de mim", "me ame de volta" ou qualquer coisa que você possa pensar. Sou só eu tentando ser honesta comigo mesma - falando com você. Because one of these days I'll be born and raised and it's such a waste to grow up lonely. (Porque qualquer dia desses, eu vou nascer e crescer e é um enorme desperdício crescer sozinho.)



12 comentários:

Ana Beatriz Leiroz em 20/12/13 disse...

Que texto profundo, Mayara. Gostei bastante, espero que você consiga nascer e crescer de novo, com novas perspectivas mas sem esquecer o que já passou.
www.balburdia-interna.blogspot.com.br

Monique Benevides em 20/12/13 disse...

Gosto de passar e ler o seu blog e seus textos, é raro hoje em dia encontrar um blog assim e uma pessoa que tem o talento de escrever. Seu texto é lindo e profundo, parabéns pelo talento.

http://leitecombiscotos.blogspot.com.br/

Isabelle Kelly em 20/12/13 disse...

Os seus textos são incríveis amga, é raro encontrar pessoas que tenham talento para essa coisa!
Lindo, profundo...
Beijos <33

Blog / Fan Page / Twitter


Mayara em 20/12/13 disse...

@Monique Benevides Comentários assim me motivam muito, Monique <3 Muito obrigada!

Juliana Faria em 20/12/13 disse...

Mayara *-* Ah eu amei seu texto. Sua escrita é perfeita. *-* Me identifiquei com seu texto em vários pontos, por exemplo, já tive alguém que também foi a minha droga. Era alguém em quem eu queria todos os dias, queria passar horas e horas conversando. Mas, como você escreveu "Seu efeito passou e hoje preciso de algo mais forte.".
Sem palavras para descrever o quanto eu amei seu texto. Perfeito.

Conheci seu blog no grupo de leitoras do DDQ. Parabéns pelo blog e sucesso.
Beijinhos, Jú
www.depoisdevoar.com

Mayara em 20/12/13 disse...

@Juliana Faria Ô, Ju! Muito obrigada pelo comentário maravilhoso! Acho tão incrível que as pessoas se identifiquem com algo que é tão pessoal pra mim. Esse texto é provavelmente um dos que mais amei escrever porque fui verdadeira, sabe? É o tipo de texto que eu entregaria pra pessoa que o inspirou como uma carta com as coisas que sempre quis dizer. <3

Tawana Mirelle em 20/12/13 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tawana Mirelle em 20/12/13 disse...

Que texto lindo, sério. Amei!!!
E seu blog é super lindo, muito sucesso viu?
Beijão linda ❤
http://tawanamirelle.blogspot.com.br/

Nanda Windhech em 20/12/13 disse...

Que texto maravilhoso ! muito sucesso amiga , beijos
http://nossomosmoda.blogspot.com.br/

Victoria Dantas em 20/12/13 disse...

Texto lindo demais. E ler ele escutando a musica que você colocou me emocionou. Super me identifiquei, por que eu já gastei muito tempo mandando mensagens pra um garoto que eu super "gostava" sem me dar conta que aquilo não fazia sentido se ele não gostava verdadeiramente de mim. Beijos ^^

elly em 20/12/13 disse...

★。˛ °.★** ˛. LUZ!
˛ °_██_*。*./ \ .˛* .˛. PAZ!
˛. (´• ̮•)*˛°*/.♫.♫\*˛.* ˛_Π_____. *AMOR!!!
.°( . • . ) ˛°./• '♫ ' •\.˛*./______/~\
*(...'•'.. ) *˛╬╬╬╬╬˛°.|田田 |門|
¯˜"*°••°*"˜¯`´¯˜"*°••°*"˜¯`´¯˜"*°
Que suas festas de fim de ano
sejam cheias de surpresas boas
que relembre os momentos bons
e conquistas desse ano.
Te desejo saúde, sucesso e muito amor!!
www.coisasdeladdy.com

Mayara em 20/12/13 disse...

@Victoria Dantas Essa música é maravilhosa, né? É uma das que mais amo na vida, significa muito pra mim. Adorei seu comentário, Vic, porque você teve outra perspectiva; nunca parei pra pensar em como 'não faz sentido' insistir em relacionamentos assim. Realmente não faz, né? A gente não muda as pessoas. Sou uma romântica incurável e sempre tenho uma pontinha de esperança, mas como eu disse no texto, tô começando a aceitar que algumas coisas são como são. Feliz ou infelizmente.

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