29 janeiro 2014

29 janeiro 2014

Confortável

Foto por http://www.flickr.com/photos/kelehen/
Você pediu pra que eu pensasse no próximo aniversário como um passo mais perto da morte, já que eu vivo dizendo que quero morrer. Fez sentido na hora e faz ainda mais sentido agora. Eu poderia ter conquistado tanta coisa nos últimos anos, mas nem mesmo você eu conquistei. E você era a mais preciosa de todas elas. Foi a primeira pessoa a me fazer sorrir depois de meses pensando o pior da vida. Disse que eu estava linda num dia em que eu me sentia um lixo. Você deu um jeito de fazer seu caminho até mim e nisso cavou minha cova. Pra me enterrar vida quando eu já não fosse o bastante pra você, sabendo que a cada dia o seu significado na minha vida aumentava.

Não entendo como eu posso amar uma pessoa tão cruel e insistir nela depois de dezenas de decepções. Eu fico esperando que você mude e você só muda pra pior. Pensei ter visto bons tempos se aproximando, mas no fim da tarde choveu. Tempestade. Levou tudo de bom que construímos e te transformou de novo. O tempo não para de mudar e você não se adapta. Eu sempre aceito tudo, o bom e o ruim, por que você não? Por que não pode me atender quando ligo chorando? Eu coloco a culpa nos remédios, mas não é. A culpa é sua, por me fazer sentir tanto e depois tirar meus sentimentos bons a ponto de me deixar negativa.

Eu não quero mais suas caminhadas no parque e beijos no canto dos lábios quando estamos em público. Eu quero ter dezessete anos de novo e não te conhecer. Eu não quero mais sentir seus abraços apertados depois das viagens que eu nunca faço com você. Eu queria ter tido você, mas, meu Deus, se em três anos tive tão pouco, provavelmente não temos futuro nenhum. Eu sempre soube que não, mas poderíamos ter aproveitado o presente. Todo meu cansaço deve vir do esforço que faço pra te alcançar. E você foge, foge, foge. Poucas vezes te alcanço.

Eu odiei o novo carro. Você parece um idiota tentando acionar as músicas gritando o nome dos artistas. Prefiro você sem nada. Prefiro você como vi algumas vezes, deitado numa cama barata, sorrindo pra mim, com uma cerveja no chão. Eu nunca senti tanta saudade do aconchego de alguém como agora. Eu te amo tanto, meu Deus. Olha o que você faz comigo. 15 comprimidos e nem sinal de te esquecer. Pra sempre, eu digo. Porque não quero mais viver, não quero mesmo. Você era a última coisa boa na minha vida. Espero ser a última na sua.

E eu espero que ontem tenha sido a última vez que você tenha sentido como é ter algo assim e deixar cair.



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