10 janeiro 2014

10 janeiro 2014

Querido John

Foto por http://www.flickr.com/photos/chrysti/
Uma hora vai. Uma hora você percebe que eu posso cansar de esperar e vem. Uma hora eu boto a boca no trombone e te faço dizer sim ou não de uma vez por todas. Me vejo ao seu lado pelo resto da vida, mas aceitar que seja sempre como hoje não é viver. Acho que me apaixonar por você é resquício de quando eu estava numa pior e gostava de sentir dor. Durou até agora porque minha preguiça de dar uma geral em qualquer coisa me impediu de te jogar fora. Mas vez ou outra eu crio coragem.

Você está livre. Abri as janelas e a porta. Escolha por onde quer sair. Não faz diferença, eu não me importo. O quarto é muito pequeno pra dois e eu quero ficar. Quero ficar e chorar até minhas lágrimas secarem, quero ficar e me encolher num cantinho até xingar o dia que começar a nascer. Vá embora e me deixe passar por todos os estágios de perda e tristeza que existem. É normal e com certeza é mais saudável que forçar sorrisos como faço quando você está aqui. Porque com os dois nesse quarto, eu não tenho pra onde fugir. Você me alcança. Mas se você sair, logo em seguida eu tranco as janelas, passo a chave na porta e você nunca mais volta. Entre em outra casa, durma no seu carro, eu realmente não sei. E vou tentar não me importar.

Se insistir pra ficar, vou te perguntar pelo menos vinte vezes se é isso mesmo o que quer e finalmente dizer que se é pra ficar, que fique de verdade. Que não esteja aqui só fisicamente. Já percebi que vez ou outra você se perde em outro mundo e fica triste quando volta pro nosso. Porque não é o que você sonhou. Então pare e pense se quer mesmo ficar. Não se esqueça que eu quebro vidro na parede e costumo quebrar também. Sou toda de cacos colados e às vezes corto. Eu exijo muita paciência e dedicação. E não estou me fazendo de vítima, ser frágil já me trouxe coisas boas também. Já me fez vencer guerras sem precisar agredir. Mas venho com recomendações que a maioria não lê.

Eu faço algum sentido pra você? Digo, essa carta faz? Porque eu estou ouvindo minha música de fossa favorita e tentando transcrever tudo o que sinto. Perceba que é um emaranhado de coisas que se você me perguntar o que significam eu jamais saberei explicar. Talvez eu precise de um tempo fora. Faça sua viagem estúpida e eu vou tirar um tempo pra mim, pra experimentar o que a vida tem a oferecer. Pode ser que eu me encontre e pode ser que você encontre algo e cada um vire numa esquina diferente. Penso nisso e meu coração é sufocado, mas provavelmente não dói mais que te ter aqui e ter mais momentos infelizes que bons.

Eu vivo cheia de nós na garganta e começo a vomitar palavras pra ver se eles vão junto, sempre em vão. Mas uma hora vai. Uma hora o amor acaba e eu consigo te dizer o quanto você me fez mal durante os anos e a calmaria vem. Ou uma hora nos entendemos e eu engulo os nós e de qualquer forma ela vem. Toda vez que passo por essa montanha russa de sentimentos, concluo a mesma coisa: de qualquer forma, uma hora, a calmaria vem.



4 comentários:

Curiosa Juh em 10/1/14 disse...

Queria mto ler o livro e ver o filme! Texto lindo!
bjus
www.curiosajuh.com.br

Mayara em 10/1/14 disse...

@Curiosa Juh hehe, o texto não tem nada a ver com o filme, não. O título do post é de uma música da Taylor Swift :)

Thais Rocha em 10/1/14 disse...

Curto muito a música da Taylor que tem esse mesmo nome, diz que ela fez pro John Mayer né ksks.Só ouvindo uma música de fossa favorita mesmo conseguimos transcrever todos os nossos sentimentos . Lindo o texto !
http://pinkepaete.blogspot.com
Beeijos!

Camila Docena em 19/1/14 disse...

Adorei o texto - e todo o seu blog! Ele é lindo e cheio de sentimento, dá pra sentir cada alto e baixo que você fala. Eu vejo nele a situação de uma amiga minha (amiga mesmo, tá? haaha) escrita nas tuas palavras. Impressionante como quando a gente escreve tomas as dores e sentimentos dos outros, por mais nossos que sejam, né? Amei, beijos http://mundoteenvip.blogspot.com.br/

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