06 fevereiro 2014

06 fevereiro 2014

Direito de estar errada

Foto por http://www.flickr.com/photos/pfala/
Eu nunca fui boa em terminar coisas. Sabe? Sempre fugia antes de saber no que ia dar. Meu primeiro relacionamento, meu curso técnico, meu primeiro emprego de verdade e minha primeira faculdade. Mudava de ideia tão rápido que nem dava tempo de me assustar com a minha instabilidade. Só quando eu resolvi dar um tempo de tudo percebi como tudo aquilo estava me afetando. De forma negativa, é claro. Você acaba sendo taxada de volúvel, irresponsável, até incapaz. O que te deixa ainda pior, com uma auto estima menor e você decide que quer passar a vida toda embaixo das cobertas, vendo séries e reblogando imagens depressivas no Tumblr.

Fiz isso por mais ou menos um ano. Tempo suficiente pra cair na real e perceber que a vida não pode se resumir a isso. O dinheiro guardado acabou, ninguém ia me sustentar. Os amigos se afastaram depois de me ouvirem dizer "não" pra todos os convites feitos nos últimos dez meses. A família já me considerava um caso perdido e eu comecei a me preocupar com o que ia dizer no Natal, quando me perguntassem sobre a vida, os estudos e o amor.

Nada. Eu me resumia a um monte de nada e me senti incomodada. Senti uma necessidade de mudar, como sempre senti, mas dessa vez era pra sair de uma situação pela qual eu realmente não merecia passar. Mais uma vez, tão rápido quanto um piscar de olhos, eu já estava atrás de novas coisas. O ano mudou e eu criei uma lista de resoluções pra seguir à risca. A maioria não segui, mas até hoje sigo a mais importante delas: sempre ser sincera sobre o que estou sentindo.

Fugir do que a gente sente, do que a gente não quer ver, nunca funciona. Tudo vem à tona cedo ou tarde. Tive que encarar o cara do meu primeiro relacionamento no dia que nos encontramos numa festa, tive que ir até minha velha escola pra devolver alguns livros do meu curso, deixei coisas pendentes no meu emprego e arquei com algumas consequências e, por fim, um juros louco correu na minha faculdade porque não tranquei a matrícula. Dá até pra me chamar de burra e irresponsável mesmo, mas mais tarde descobri que tudo isso tinha uma explicação. Que vários médicos deram. E que eu acabo usando como desculpa pra muita coisa no meu dia a dia, principalmente quando quero falar de sentimentos. "Desculpa, eu fico muito sincera durante as crises. Não era pra sair um 'eu te amo' tão de repente."

Vivo me achando uma bagunça. Acho que sou. Se você quer saber, eu estou rindo enquanto escrevo porque mesmo com todos os nós na garganta e dificuldade pra colocar meus pensamentos em ordem, faz tempo que não desisto de nada. Ser mais aberta tem me ajudado. Fez com que eu percebesse o que eu realmente queria pra mim e quem deveria ficar ao meu lado. Até porque é muito difícil desistir de algo ou alguém que a gente ama, não é? E quem eu sou hoje pode, com certeza, dizer que não existe nada além de amor aqui.

Ah, geralmente eu não admito todas essas coisas pra quem eu não conheço, viu? Mas é que eu falo demais durante algumas crises.



4 comentários:

Bianca Penafort em 6/2/14 disse...

Meninaaaaaaaa, amo seus textos! Viu? maravilhosos, amo seu blog tbm! adorei esse texto,

Mayara em 6/2/14 disse...

@Bianca Penafort Obrigada, Bia ^__^

Marielen Romanna em 6/2/14 disse...

Adorei o texto e o jeito que tu escreve! Ainda não conhecia seu blog mas vou acompanhar sempre, ta?

Beijinhos
http://www.voamari.com/

Dona Urbana em 6/2/14 disse...

Bem legal o texto! Eu ainda não passei por uma fase dessas (se é que pode ser considerada uma fase).

jessica do donaurbana.blogspot.com

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